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Economia de guerra vs. Economia especulativa: a onze anos das Torres Gémeas

Em vésperas das eleições nos EUA, um artigo que analisa aquilo que na opinião do autor são as duas fracções do grande capital que disputam a prioridade estratégica para a dominação imperialista global.

por Wim Dierckxsens

ODiario.info - 6 de Novembro, 2012

https://www.odiario.info/economia-de-guerra-vs-economia-especulativa-a-onze-anos-das-torres-gemeas/

Introdução

Larry A. Silverstein, um magnata israelita de bens de raiz, assinou em 24 de Julho de 2001 um contrato de arrendamento-compra do World Trade Center (WTC), com um pagamento inicial de 124 milhões de dólares. O contrato foi celebrado 6 semanas antes do "ataque terrorista" do 11 de Setembro. O banco JP Morgan Chase e as Autoridades do Porto de Nova York, ambos controlados pela família Rockefeller, negociaram o processo. Silverstein criou uma forte segurança contra ataques terroristas no complexo do WTC. Silverstein possuía também o edifício sete do complexo. Os ocupantes deste edifício bastante seguro foram, entre outros, a Agencia Central de Inteligência (CIA). Este edifício sete ruiu, embora outros edifícios que se situavam mais próximos das Torres Gémeas mas que não eram propriedade do Sr. Silverstein não tenham sido danificados.

Após esta destruição Silverstein recebeu uma liquidação de 4.5 mil milhões de dólares das companhias de seguros. Reclamou o pagamento do seguro alegando que o impacto dos dois aviões representava não um só acidente mas dois. Ganhou em tribunal e desta forma obteve uma indemnização total de 7.3 mil milhões de dólares. Alice Schroeder, Vinay Saqui e Chris Winans afirmam no seu documento de 17 de Setembro de 2001, intitulado World Trade Center Special Issue, que as perdas decorrentes da queda das Torres Gémeas superariam eventualmente as possibilidades da Lloyd’s como empresa resseguradora.

É preciso saber que Lloyd’s é uma das empresas-chave que pertencem à fracção dominante do capital financeiro anglo-americano globalizado com sede en Wall Street e no centro financeiro de Londres. Esta fracção, que reúne os principais bancos de investimento do mundo e transnacionais está em franca disputa com a fracção financeira americana conservadora unipolar e unilateral. A última apoia-se fortemente no complexo industrial e militar dos EUA e procura conservar a hegemonia norte-americana no mundo. Os globalistas, por seu lado, aspiram a criar um Estado global sob a hegemonia dos grandes banqueiros. O que é dito anteriormente coloca os acontecimentos do atentado do 11 de Setembro de 2001 num ambiente de luta geopolítica que está ancorado antes de tudo nos próprios Estados Unidos.

A perda de soberania nacional na era da globalização

Com a globalização neoliberal tem dominado a política económica que promove a liberalização dos mercados en geral e dos mercados financeiros em especial. O poder dos Estados-nação para definir de forma independente a sua política económica dentro de um marco nacional foi reduzido de forma drástica, primeiro nos países periféricos como os latino-americanos, mas depois também na Europa e até nos próprios EUA. Nas últimas duas décadas do século passado, o poder soberano do Estado-nação diminuiu no plano económico como consequência do poder totalizador alcançado pelas transnacionais no quadro da política de desregulação económica a nível mundial. O poder totalizador que as transnacionais adquirem na desregulação económica e na política dos estados, desenvolve-se nos termos da eficiência para maximizar lucros como finalidade última, o que não é mais do que a lei do mais forte no livre jogo do mercado (que obviamente não é livre). As transnacionais, os grandes bancos, transformam-se a partir das megafusões e grandes aquisições em “Estados privados sem fronteiras nem cidadãos” e actuam juntos como um capital financeiro globalizado que não presta contas de nada a ninguém para além dos seus accionistas principais.

É a destruição da soberania, democracia, liberdade e do conceito de estado já mencionados, para dar lugar à construção de um novo estado global total: O das transnacionais e dos grandes capitais entrincheirados após a maior acumulação de armas que a história conhece. Se o lucro na economia real tende a baixar, já nada importa acerca da forma como se obtém o lucro, o que conduz à corrupção e à criminalização das sociedades. Os estados convertem-se em garantes para toda a modalidade de acumulação. Deste modo também o estado tradicional tem vindo a ser substituído por um novo conceito: o de um Estado-corrupto-totalitário que é aquele que oferece as melhores e mais rápidas oportunidades para acumular, mas que a par disto desmantela todo o sistema anterior, e não apenas o social. Isto não é sustentável por muito tempo sem que se afunde no caos.

Como se estrutura essa rede financeira global que tende a subordinar todos os estados no mundo? Os resultados de um estudo de ETH em Zurique, Suiça, intitulado The network of global corporate control, realizado pelos investigadores suíços, Stephania Vitali, James B. Glatterfelder e Stefano Battison, mostram que 737 empresas controlam 80% da rede de corporações transnacionais e que apenas 147 controlavam mais de 40% desta rede global. Das primeiras 50 empresas, metade é norte-americana. A Grã-Bretanha ocupa o segundo lugar com 8; Japão e França seguem com 4 empresas cada um no terceiro e quarto lugares. A isto pode somar-se que 12 das 25 empresas com o maior número total de nós da cadeia são conhecidas instituições financeiras. O texto menciona por ordem de importância: Barclays, JP Morgan Chase (criada no ano 2000 a partir da fusão do Chase Manhattan e da JP Morgan & Co), UBS AG, Merril Lynch & Co, Deutsche Bank AG, Credit Suisse Group, Bank of New York Mellon, Goldman Sachs Group, Morgan Stanley, Mitsubishi Financial Group, Societé Génerale y Bank of America Corp. Estes são como os polvos maiores e com mais tentáculos no mundo. O que mais chama a atenção aqui é que Barclays da City de Londres estava em primeiro lugar. O capital financeiro global guerreia por mais áreas de influência para instaurar uma ordem global sob a sua hegemonia. Esta disputa terá os seus triunfadores e perdedores dentro e entre as próprias potências económicas que assentam na territorialidade. A imposição do poder financeiro global hoje em dia corresponde a uma lógica que vai para além de um país hegemónico ou dominante no mundo. E isto implica que se torne inclusivamente necessária a superação dos EUA como a única superpotência do mundo. Com isso a autodeterminação ou soberania do Estado-nação está em risco de passar à história. Até nos próprios Estados Unidos existe uma disputa de interesses no sentido de pôr fim à defesa da sua soberania. No meio desta disputa de interesses, o bloco de poder financeiro anglo-americano divide-se em dois, como veremos em seguida.

1. A fracção dominante do capital financeiro anglo-americano globalizado

A fracção dominante do capital financeiro anglo-americana globalizado tem o seu centro de operações na City de Londres e em Wall Street. Este capital financeiro globalizado é liderado por bancos como o City Group (é a maior empresa de serviços financeiros do mundo com sede en Nova York), HSBC (é a segunda empresa de serviços financeiros maior do mundo com sede en Londres), Lloyds (é o principal mercado de seguros e resseguros com sede em Londres) e Barclays (é a quarta companhia maior do mundo em serviços financeiros com sede em Londres) e controla, por exemplo, a Cargill-Monsanto (V. Formento y Merino, Crise financeira global; a luta pela configuração da Ordem Mundial, Peña Lilo Eds. Buenos Aires, 2011: p.58). Os autores mencionam muito especialmente a rede financeira internacional da Grande Banca Global Rothschild que está por detrás de HSBC e Lloyd´s Bank e por detrás destes aparecem empresas transnacionais como a Shell e Unilever. É interessante saber que os Rothschild controlam os principais meios de comunicação (Reuters News, Associated Press, ABC, CBS, NBC, CNBC, CNN, la BBC, e outros canais de televisão e jornais em todo o mundo). Os meios de comunicação de massa divulgaram que a eurozona e a dívida soberana dos EUA produzirão um crescente desastre no decurso do ano de 2012. Estes países entenderão, segundo a “teoria” aceite como “politicamente correcta”, que apenas uma guerra apaziguará a crise financeira. É preciso dizer-se aqui que os Rothschild controlam a CIA e a NATO e que até há pouco apenas existiam cinco países no mundo em que os Rothschild não controlavam o banco central.

A ideia dos Rothschild é provocar uma Terceira Guerra Mundial, que tem como objectivo instalar uma nova elite global, afundando o planeta num Estado Totalitário. Em termos políticos este império financeiro estava melhor representado nos EUA pelos Democratas desde a administração de Bill Clinton (1993-2001). Hoje em dia o governo dos EUA sob a administração Obama (2009-2013) está nas mãos da fracção globalista, que impõe o ministro da economia, Geithner, e a dos negócios estrangeiros, Clinton, mas não controla o ministério da defesa nem o banco central que estão ambos nas mãos da fracção americana imperialista. Em termos intelectuais o seu ideólogo é o premio nobel de economia Paul Krugman. Destaca-se aqui também a figura política de Zbigniew Brzezinski, ex assessor de segurança nacional dos EUA e assessor do presidente Barack Obama.

O capital financeiro global guerreia por mais áreas de influência para instaurar uma ordem global sob a sua hegemonia com a criação de um Estado global. O seu projecto estratégico tem sido a aceleração da crise da soberania do estado nacional e o desenvolvimento de formas de soberania global tendentes à conformação de um Estado Global sem Fronteiras nem Cidadãos. O espaço nacional norte-americano deixa de ser o ponto de partida do grande capital financeiro global na luta por essa nova ordem global. Este capital deixa de ter, por outras palavras, qualquer compromisso com os cidadãos nos países centrais incluindo nos próprios EUA. Para as redes financeiras globais, afirmam Formento y Merino (Ob. Cit.), apenas deve haver colónias, não países colonizadores; estes mesmos inclusivamente tornam-se territórios a colonizar. Trata-se de um imperialismo deslocalizado numa rede hierarquizada de cidades financeiras globais: Nova York e o centro financeiro de Londres (a City de Londres) como seu eixo central. Esta rede terá os seus nós locais em Paris, Tóquio, Xangai, Frankfurt, Moscovo, Singapura, Hong Kong, Dubai, Abu Dhabi, Bombaim, Sidney, Johannesburgo, São Paulo, Buenos Aires, México etc. Estas ´capitais financeiras´, continuam os autores, são os nós principais que dariam forma social ao Estado Global e onde a divisão global do trabalho designaria as funções a cumprir em cada espaço regional. A queda dos EUA como potência mundial converte-se numa condição necessária para avançar no sentido deste novo formato imperial onde não existe país central: um imperialismo sem centro estabelecido num país determinado, mas sim uma rede de mega-cidades financeiras.

Tem de entender-se a criação da União Europeia em 1992 e a introdução da moeda única, o euro, em 1999, como uma tentativa de não ser absorvida pelos tentáculos do capital financeiro global anglo-americano e para tentar de ser parte dos mesmos. A forma de avançar é através da constituição de áreas de comércio livre por região. Regionalizando o Globo, sem que isto implique atribuir poder a blocos políticos (a União Europeia ou UNASUR), mas como estratégia para debilitar os poderes estatais nacionais e regionais, avança-se para os interesses anglo-americanos no sentido do globalismo financeiro.

2. A fracção financeira norte-americana conservadora unipolar e unilateral

Existia oposição de um forte bloco conservador dentro dos próprios EUA à la política de desmantelamento da soberania nacional. Estas fracções conservadoras necessitam de perpetuar o velho imperialismo do país central e adoptam a estratégia de um unipolarismo unilateral com o braço forte do Pentágono no meio de blocos regionais sob a hegemonia dos EUA. Este bloco de poder conta com a fracção financeira de J.P. Morgan (é o primeiro banco comercial dos EUA no que diz respeito a activos), Bank of America (é o segundo maior banco comercial dos Estados Unidos). A banca comercial é a actividade más conhecida pelo grande público, a que se realiza através das típicas sucursais bancarias. O seu negócio principal consiste em pagar pelo dinheiro que os seus clientes depositam e cobrar pelos créditos que concede. Depois está o Goldman Sachs (é um dos grupos de banca de investimento e valores maiores do mundo). A banca de investimento dedica-se a colocar empresas na Bolsa, desenhar e executar a obtenção de uma participação significativa no capital de uma sociedade (OPA’s), fusões, vendas de divisões inteiras entre empresas, emissões de títulos, operações de grande volume nos mercados financeiros, etc. Goldman Sachs ganhou renome histórico em fusões e aquisições assessorando clientes em ofertas públicas de aquisição.

Neste bloco estão também as grandes empresas do império Rockefeller. David Rockefeller era o presidente do banco gigante Chase Manhattan, que hoje se fundiu em J.P Morgan Chase. O seu vínculo com a indústria militar tem sido muito directo. Assim como os Rothschild manejam a NATO, assim trabalham os Rockefeller com o Pentágono. O império petroleiro dos Rockefeller é impressionante e expressa-se através de empresas como Exxon Mobil, Chevron Texaco, BP Amoco e Marathon Oil. O J.P.Morgan Chase controla a ESSO, Halliburton, etc. Os Rockefeller controlam grandes empresas farmacêuticas assim como a empresa construtora de aviões Boeing, as linhas aéreas United Airlines, Delta e Northwest Airlines. Isto dá a ver a quantidade de empresas que existem nesta fileira. En termos políticos este grupo foi melhor representado pelos Republicanos sob a administração Bush (2001-2009).

Estas forças conservadoras procuram manter a toda o custo a soberania e a fortaleza do poder norte-americano como potência hegemónica. Para isso é preciso manter o dólar como moeda mundial o que implica por sua vez manter o seu poder militar. Este projecto político defende o conceito de Estado nação hegemónica com os seus controlos geográficos. A debilidade e atraso em termos económicos desta fracção americana de poder foi compensada pela política militar. A queda das Torres Gémeas em 2001, segundo W. Formento e G. Merino (A chamada crise financeira global), era o meio para deter a progressão da fracção avançada do capital financeiro global que procurava acabar com a soberania nacional dos próprios EUA, e de dinamizar a hegemonia norte-americana a partir do antigo complexo industrial-militar norte-americano. Antes de chegar à Casa Branca em 2001 George Bush já tinha elaborado o Projecto para um Novo Século Americano. Mas não poderia por em prática este projecto sem ter um aliciante que o justificasse. O Projecto para o Novo Século Americano deve considerar-se mais como uma tentativa de manter a posição hegemónica dos EUA no novo contexto de acumulação de capital financeiro sem fronteiras que se dá desde finais do Século XX do que como uma tentativa de expandir e intensificar o poder dos EUA no mundo, já que esta acumulação sem qualquer ligação às fronteiras põe em perigo até a própria soberania dos EUA. Para poder implementar o Projecto para um Novo Século Americano os falcões necessitavam de uma bandeira falsa e isto veio a ser proporcionado pelo ataque às Torres Gémeas em 11 de Setembro. Com a “queda” das Torres Gémeas e a crise da borbulha de NASDAQ, os neocons conseguem impor uma nova correlação de forças no território norte-americano, gerando uma situação de empate de forças. A partir de aqui tanto uma como outra fracção posiciona-se, apetrecha-se e fortalece-se, agudizando necessariamente as contradições entre si.

A partir de 2001 a fracção atrasada, fortemente desenvolvida no interior dos EUA mas com menor desenvolvimento global, consegue compensar a sua debilidade no terreno económico desenvolvendo uma política militarista baseada na ideia da segurança nacional. Os falcões nos EUA aproveitaram o atentado de 11 de Setembro para fomentar na própria terra um nacionalismo retrógrado a tal ponto que pode emergir uma guerra contra o terrorismo. A guerra contra o terrorismo vai legitimar qualquer barbaridade. A invasão do Afeganistão pelos EUA realizou-se sem prova alguma sobre a possível responsabilidade de Bin Laden na queda das torres gémeas de Nova York.

A partir do 11 de Setembro de 2001 os EUA preparam a invasão do Iraque. Os EUA não conseguiram no Conselho de Segurança os votos necessários para invadir o Iraque. A invasão foi a substituição do império da lei pela lei do império. Com a invasão do Iraque em Março de 2003, o governo dos EUA ignorou abertamente a própria Carta Magna da ONU e com isso viola a soberania nacional, mostrando de caminho ter o direito exclusivo de se sobrepor às demais potências, incluindo a União Europeia. Sadam Hussein e as suas supostas armas de destruição massiva revelaram-se um mero pretexto para a invasão tal como hoje em dia sucede com as armas nucleares que supostamente estão em desenvolvimento no Irão. Nunca encontraram as tais armas de destruição massiva no Iraque, mas menos de dez anos passados de novo se faz crer ao mundo que, desta vez, o Irão está fabricando armas atómicas.

O atentado de 11 de Setembro em Nova York não tinha nada que ver com a queda da bolsa nas principais potências. A crise bolsista (a de NASDAQ especialmente) já existia, e esperava-se que a bolsa continuaria a cair em consequência da recessão mundial que estava à vista. De 10 de Setembro a 10 de Outubro de 2001, a situação bolsista não piorou de maneira substancial entre as potências mundiais: o Nikkei 225 estava el 10 de Outubro 74% abaixo do seu record histórico contra 73% um mês antes; o Dow Jones, 21% contra 14%; o NASDAQ, 68% contra 65%; e a área europeia 35% contra 31%. As bolsas nos países emergentes sofreram golpes mais duros, uma vez que a actividade bolsista caiu num mês dos 12% para os 23% abaixo do nível alcançado em princípios de 2001. Assim, por exemplo, a bolsa no Brasil caiu nesse mês dos 39% para os 53% abaixo do nível alcançado em princípios de 2001; na Argentina, passou dos 25% para os 46% abaixo desse nível; na China, dos 11 % para os 20% (The Economist, 13-19. X. 2001: 99).

Perante a lógica unipolar do capital financeiro anglo-americano globalizado colocou-se a visão unipolar da fracção do capital financeiro apoiado no complexo industrial e militar. Trata-se de uma batalha entre duas fracções do capital improdutivo no interior dos EUA. André Gunder Frank assinalava que o poder hegemónico e unipolar dos Estados Unidos se sustenta sobre dois pilares: o dólar e o Pentágono. A guerra no Iraque era uma necessidade estratégica para assegurar a continuidade do poder americano por outras tantas décadas. Ao assentar a dominação dos Estados Unidos sobre o mundo nos mencionados dois pilares, tornava-se estratégico para os Estados Unidos preservar o dólar como a moeda de reserva. Com uma queda do dólar estaria em jogo um dos dois pilares da hegemonia norte-americana. O fim da era do dólar como moeda de reserva internacional significaria o afundamento dos Estados Unidos e consequentemente um triunfo do capital anglo-americano globalizado.

A economia estado-unidense dependia cada vez mais dos bancos centrais da China, Japão e outras nações periféricas que investiam as suas principais reservas internacionais em títulos do Tesouro. Com o decorrer do tempo, o dólar retrocede como moeda de intercâmbio universal e como moeda de reserva. A Rússia já exportava em 2001 metade do seu petróleo e gás em euros, e existiam negociações para que o comércio bilateral com a União Europeia se fizesse em euros. A participação do euro nas reservas internacionais alcançou já em 2003 os 20% e em 2011 (no meio da crise do euro) os 25.7% contra 61.7% em dólares. Existia o perigo de que os países de la OPEP abandonassem o dólar como moeda de intercâmbio com a China e a India entre outros. A implementação efectiva de tal política teria mais tarde ou mais cedo conduzido à queda livre do dólar. Portanto, a chamada guerra contra o terrorismo foi uma enorme cortina de fumo para ocultar esta feroz luta pela manutenção de um mundo unipolar sob hegemonia estado-unidense. A crescente desconfiança no dólar revela-se no preço do ouro: Desde que a administração Bush chegou ao poder en 2001, o ouro passou de 200 dólares para quase 700 a onça em princípios de Maio de 2006. Desde Junho de 2005 a China anunciou ir reorganizar a composição das suas reservas internacionais, o que empurra o dólar para baixo. Ninguém ignora, nem na China nem fora dela, que a diversificação das reservas internacionais a outras divisas, ao ouro e ao ouro negro ou outras matérias-primas que não perdem o seu valor, torna o dólar sumamente vulnerável. Neste contexto entende-se como em 2012 o preço do ouro estava já em mais de 1700 dólares por onça.

A luta entre as duas fracções do capital improdutivo salta à vista com o trespasse da presidência da Reserva Federal nos EUA em Fevereiro de 2006. Nessa data cai Alan Greenspan como presidente da Reserva Federal e Ben Bernanke é promovido. Com isso muda a correlação de forças entre as duas fracções do capital no núcleo do poder financeiro global: A Reserva Federal. Com Ben Bernanke na presidência da Fed., a política de altas taxas de juro golpeia directamente o sistema financeiro. Para Formento e Merino (La llamada crise financeira global), o Banco Lehman Brothers (um dos maiores bancos financeiros de investimento e parte da rede do Citigroup, principal grupo do capital financeiro anglo-americano globalizado) não caiu em 15 de Setembro de 2008, foi deixado cair na luta de modo a arrastar toda a banca de investimento para a crise. A queda do Lehman Brothers tem, assim, relação directa com a necessidade de desarticular a Rede financeira global. Lehman Brothers foi-se. Meses antes tinham caído o Bear Stearns (um banco de investimento global e de venda de ´securities´ como os CDS) o Merryll Linch (outro banco de investimento), que foram de imediato adquiridos a preços de oferta (10% de seu valor) e com o apoio financeiro da Reserva Federal, respectivamente pelo JPMorgan e o Bank of América, ambos parte do grupo conservador. Este processo de centralização forçado permite um salto de escala impressionante para estas entidades com pouca presença global em termos relativos, mas com forte desenvolvimento no interior dos EUA, associadas ao antigo complexo industrial-militar e aos grandes laboratórios norte-americanos, cujos quadros fazem parte, por sua vez, da cúpula do partido republicano.

Os jogos de xadrez continuam e parecem virar de novo a favor dos globalistas. Em 2011 Barack Obama anunciou uma mudança na sua política de defensa. A política militar já não se focalizava tanto como projecto norte-americano em direcção ao Medio Oriente, mas como projecto da NATO contra China e Rússia. O facto de que a administração Obama oriente a sua política no sentido de uma confrontação directa com China e Rússia obedece à preponderância da política do capital financeiro anglo-americano e global sobre os neoconservadores. A ideia principal seria fragmentar a Rússia e a China em estados menores, com força económica e capacidade militar muitíssimo mais limitada. Com isso abortaria a alternativa do surgimento de um mundo multipolar sob a hegemonia russo-chinesa. A sua finalidade é evitar um mundo multipolar sob hegemonia russo-chinesa que deitaria a perder o objetivo de alcançar um Estado Global. Segundo o autor Webster G. Tarpley no seu trabalho US Policy Shift On Iran-Iraq (2008), o ideólogo Brzezinski sublinha que a primeira fase consiste em expulsar a China de África a fim de cortar o seu acesso ao petróleo e aos recursos naturais neste continente e assim sabotar o seu rápido crescimento industrial actual. Toda a África se está tornando um campo de batalha contra os interesses chineses e Obama encabeça-o com a NATO. Uma política possível, embora dura de conseguir, é não atacar a Síria e o Irão mas virar estes países contra Rússia e China. Este delineamento de Brzezinski explica porque afirma Obama que quer negociar com o Irão e bombardear o Paquistão. Na fase final, Brzezinski planeia que os chineses, necessitados de petróleo, invadam as províncias orientais da Rússia, onde há muito poucos russos e muitos poços de petróleo. Desta forma Obama, premio nobel de la paz, seria o portador de um plano para desencadear uma Guerra mundial que eclodisse entre Rússia e China, plano que supera em muito o plano demencial dos neoconservadores. Na terceira guerra mundial a Europa será sacrificada e Israel será entregue ao mundo muçulmano. Com isso triunfaria o Estado Global. A questão então já não é qual das duas tendências dentro dos EUA ganhará, mas se triunfará a política dos globalistas ou se haverá uma terceira opção. Diferentemente do que prognosticam Formento y Merino, na nossa opinião o capital improdutivo, seja financeiro ou militar, não triunfará nesta corrida pelo poder. E daí decorre imediatamente outra pergunta sobre as alternativas que queremos desenvolver no próximo capítulo.

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